segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

[Resenha] Os Pilares da Terra

FOLLETT, Ken. Os Pilares da Terra. Rio de Janeiro: Rocco, 2012. 944p.

RESENHA
por Juliana R. Santos

Capa - Editora Rocco
E encerramos o ano de 2013. Nesta última resenha do ano, farei a resenha deste maravilhoso livro que acabei de ler: Os Pilares da Terra. É um livro enorme, como podem ver pelo número de páginas (944 no total), mas é uma leitura bastante agradável, e não é nenhum prejuízo gastar quase um mês inteiro (como eu gastei) para ler esta fantástica história de Ken Follett. Mais uma vez, trata-se de um romance histórico (tenho feito mais romances históricos do que livros fantásticos, que era a proposta inicial) passado no século XII, entre a queda de Henrique I e a ascensão de seu neto Henrique II, abrangendo um período de cerca de 35 anos. 

A narrativa é em terceira pessoa, e acontece em torno da construção de uma catedral, variando de acordo com o ponto de vista de vários personagens, entre eles o prior Philip, Tom Construtor, Jack, William Hamleigh, Aliena e Sally. É interessante essa variação de pontos de vista, pois gera um certo suspense, quando um dos personagens sabe algo que outro deveria saber para resolver a situação por que está passando, por exemplo. Além disso, essa mudança de foco narrativo, permite que se entenda um pouco o ponto de vista dos vilões, o que, em alguns momentos, principalmente no início, podem nos fazer torcer pelo sucesso destes. 

Outro ponto interessante sobre o livro, é que ele narra várias tradições e festas populares da época medieval, como o pão de quantos e o bispo menino. É possível ter uma idéia um pouco mais clara de como era a vida na Idade Média:  as casas,  as relações comercial e sociais, como era a rotina dessas pessoas, como se erigiam construções, etc. Os fãs de romances históricos talvez sintam falta de mais cenas de batalhas, há umas poucas batalhas no livro (se não me engano uma batalha e alguns saques), a batalha é narrada sob o ponto de vista de um observador e não de um participante da luta e os saques, geralmente são contados do ponto de vista de vítimas, perdida em meio a confusão de violência e destruição. A ausência de batalhas não deixa, como alguns podem imaginar, o livro chato, ele é repleto de embates intelectuais, com personagens criando tramas inteligentes para derrubar seus inimigos e evitar ser derrubado pelos mesmos, esses embates dão um ar de expectativa e apreensão a história, tornando-a muitíssimo interessante. 

Como já foi mencionado, o livro aborda um período de quase 35 anos e, a forma como ele é contado, faz com que as 944 páginas que o compõem, pareçam ainda mais. Ao fim do livro é como se tivéssemos lido uma série inteira e não um único volume, pois a narrativa é bastante dinâmica, com alterações surpreendentes e, as vezes, repentinas na vida dos personagens. Com elementos que envolvem aventura, romance e drama. 

Enfim, um livro excelente, que eu recomendo fortemente para os que gostam de história medieval. Além disso, alguns processos de construção da época, descritos no livro, pode interessar também aos estudiosos e amantes de arquitetura. Não se intimidem com o tamanho da obra, pois é um livro que prende e faz você querer continuar a ler cada vez mais. A leitura é longa, mas ao fim desta, é como se você tivesse vivido uma vida inteira junto com os personagens. O autor consegue dar um boa profundidade aos personagens e à trama, que é complexa, mas não à ponto de se tornar chata. O romance foi adaptado em série pela emissora Starz, composta de 8 episódios de uma hora cada. Se você gosta de obras adaptadas com fidelidade, como eu, você não gostará tanto assim da série, que se mantém fiel em alguns pontos, mas altera muitos fatos dentro da trama, além disso, a série não dá profundidade aos personagens como no livro, e não nos dá a impressão de ter vivido uma vida inteira. É claro que essas críticas podem ser devido ao fato de a leitura ainda estar fresca em minha cabeça, talvez, se tivesse esperado alguns meses, ou assistido a série antes de ler, eu tivesse gostado de assistir aos episódios.

Desejo a todos os leitores, um excelente Ano Novo. Espero que 2014 traga muitas realizações a todos, e muitas leituras também!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

[Resenha] Malinche

ESQUIVEL, Laura. Malinche. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007. 199p.

RESENHA
por Juliana R. Santos

 
Capa - Ediouro
 Comprei este livro acreditando se tratar de um romance histórico. Achei que seria interessante, pois pouco conheço sobre a vinda de Cortés e a colonização espanhola na região que hoje é o México. Para quem não conhece a história, Malinche era uma índia asteca vendida como escrava aos Maias. Quando a cidade onde vivia é derrotada pelas tropas de Cortés, Mallinalli, como foi chamada ao nascer, é tomada como serva pelos espanhóis e batizada com o nome de Marina. Por seus conhecimentos da língua asteca e maia, Marina torna-se intérprete de Cortés e, futuramente, sua amante. Os filhos da união da índia com o conquistador são hoje considerados os primeiros mexicanos. 

  Com o pouco que já sabia da história que acabei de contar, esperava um romance bastante interessante, mostrando aspectos da vida cotidiana e da cultura tanto dos povos indígenas quanto dos espanhóis colonizadores, além, é claro, de uma dose de paixão, drama e guerras. Digamos que esperava algo como os escritos dos autores Bernard Cornwell, Conn Iggulden ou Phillippa Gregory. Bem, eu não poderia estar mais errada ao imaginar isto. Se eu tivesse lido outro livro da autora, Como Água para chocolate, por exemplo, talvez não tivesse me decepcionado tanto. 

  Não vi no livro nada do que se poderia esperar de uma narrativa histórica, na verdade, o livro trata muito mais das reflexões, medos e anseios da índia Mallinalli do que dos fatos históricos que a envolvem, o que é bastante chato, na minha opinião. O livro não segue uma narrativa linear, em vez disso, ela trata da reação da personagem frente a situações pontuais que vão aparecendo ao longo de sua vida. Em um capítulo, Mallinalli nasce, no outro, já é uma criança orfã de pai, logo em seguida é um jovem escrava, e assim por diante. Enfim, não há trama entre esses intervalos, o que deixa a história menos fluida, e torna a leitura menos agradável. Para piorar, a personagem ainda parece estranhar e e questionar mentalmente tudo o que vê, gerando reflexões extensas e maçantes. Não me entendam mal, não é que eu não goste de reflexões em um livro, mas a reflexão constante e pura, sem ser pontuada por algum drama ou ação, é bastante chata, a menos que você esteja em um humor bastante reflexivo, o que não era bem o meu caso na época em que li o livro. 

  Enfim, se você pensa em ler o livro para conhecer mais sobre a história do México, ou para ver alguma ação nas invasões (verdadeiros massacres em alguns casos) de Cortés, certamente vai se desapontar. Ao fim da leitura, pouco se acrescenta ao conhecimento básico da história do México. Não recomendo o livro , exceto para aqueles que gostam de reflexões profundas sobre a vida e sobre detalhes culturais dos indígenas mexicanos. A escrita é pouco fluida, e a forma como o texto é narrado não deixa a história clara. Quando você começa a entender certos pontos, ou quando esses se tornam minimamente agradável, a autora já avança para outro período bem a frente no tempo. É realmente difícil que eu critique um livro assim, geralmente gosto de quase tudo o que leio (até porque já mais ou menos encontrei o tipo de leitura que mais me agrada) mas este é, sem dúvida, um dos poucos livros de que, decididamente, não gostei

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

[Mais Livros] Natal

Olá estimados amigos leitores, 

Espero que tenham tido um excelente Natal, com bastante comida, família reunida (se isso lhe agradar), presentes e, melhor ainda: Livros! Bem, o meu Natal foi bacana, já tive melhores, mas também já tive piores, entretanto a comida estava boa... Também não posso reclamar dos livros que ganhei este ano, e estou aqui exatamente para isso, para dividir com vocês, os livros que ganhei este ano. Não é um post muito interessante, ficar comentando meus presentes de Natal, mas como ainda estou preparando as novas postagens (falei um pouco delas no post de 23/12: TAG#), e to precisando reduzir o número de resenhas porque não estou conseguindo ler tão rápido quanto a velocidade das publicações, então,  os presentes vão ter que servir para a postagem de hoje.Vou tentar fazer comentários, críticas e tal, prometo que tentarei fazer as coisas de forma minimamente agradável, só não prometo que vou conseguir... 

Agradeço muitíssimo a minha amada mãe pelo maravilhoso presente (um presente destes só podia ser de mãe, né?) composto por:

Um sopro de Neve e Cinzas - Parte 1 e 2
A Cruz de Fogo - Parte 1 e 2
Ecos do Futuro - Parte 1 e 2 

Todos da autora Diana Gabaldon, fazem parte da Série Outlander. A série conta a história de Claire, uma jovem enfermeira que, em uma visita à Escócia, acaba voltando no tempo, e conhecendo o país durante os anos anteriores à revolução Jacobita (é Jacobita mesmo, não Jacobina), onde, por força das circunstâncias, é forçada a desposar um escocês das Highlands. Uma história com romance, aventura e até mesmo um pouco de drama. Em breve irei reler toda a série pois já li os 3 primeiros há bastante tempo, e então, postarei resenhas. (a partir do terceiro volume, eles são divididos em 2 partes, provavelmente uma estratégia da Rocco para vender uma maior quantidade de livros, do que para dividir um livro que é grande demais, alguns nem são tão grandes assim.) 

  Ai está a série toda aguardando para ser lida em 2014, só falta o 8º volume, ainda não lançado no Brasil. Como ainda não postei resenhas, posso pelo menos adiantar a vocês que, pelo menos até o terceiro livro, a história vale a pena ser lida. É bem interessante pois fala sobre a Escócia do século XVIII, assunto que costuma ser difícil de encontrar entre romances históricos, geralmente os escoceses são apenas citados ou aparecem como personagens secundários em livros sobre a Inglaterra. A série já foi musicada por Kevin Walsh e Mike Gibb e o resultado foi sensacional. Confiram uma das canções do disco (esta em gaélico, língua falada na Escócia)  e o site oficial do musical. Neste ano de 2014 também está previsto o início da série televisiva Outlander, pela emissora Starz, baseada nos livros de Diana Gabaldon. Você pode acompanhar a escalação do elenco e novidades sobre as gravações (se souber ler um pouco de inglês) no facebook e no site: http://www.starz.com/originals/outlander

Para quem não conhece a série, segue a lista dos títulos que a compõe:

  • A Viajante do tempo
  • A Libélula no âmbar (foi uma verdadeira quest  achar este livro para vender)
  • O Resgate no mar - parte 1 e 2
  • Os Tambores de outono - parte 1 e 2
  • A Cruz de fogo - parte 1 e 2
  • Um Sopro de neve e cinzas - parte 1 e 2
  • Ecos do futuro - parte 1 e 2
  • Written in my own heart's blood (ainda não disponível no Brasil)
Passemos para os próximos presentes:


 Não posso deixar de agradecer também à minha tia pelo também maravilhoso presente. Os livros A Herança de Thuban e A Árvore de Idhunn, que você vê ao lado, pertencem à uma nova série da autora Licia Troisi: A Garota Dragão. Não posso afirmar se são bons ou ruins, pois nunca os li, mas posso dizer que já li duas séries da autora: Crônicas do Mundo Emerso e Guerras do Mundo Emerso, e gostei de ambas. Tenho também a terceira trilogia da autora, Lendas do Mundo Emerso, que também pretendo ler neste ano que está para começar. Também ficarei devendo a resenha de todos estes. O que posso adiantar é que todos os livros citados são bastante bons, com uma escrita rápida e agradável, e uma história bastante envolvente. 


Para encerrar, uma foto com todos os livros que ganhei este Natal. Digam X meu tesouros! Agora chego à meta de 115 livros na estante (que por sinal já está cheia, estou tendo que usar o guarda-roupa, espero que as pessoas parem de me dar roupas, se não não vou ter onde colocá-las)

E então? Não foi tão ruim assim, foi? Se pelas fotos que eu bati anteriormente não ficou claro que como fotógrafa eu sou uma excelente escritora, agora está límpido. Em breve vocês descobrirão que, como escritora, eu sou uma excelente fotógrafa também, hehehe. 

Abraços a todos e um Feliz Ano Novo! Desejo a todos muitas leituras em 2014!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

[TAG] Arco-Íris literário

Olá leitores e amigos!

Nunca entendi muito isso de TAG, mas essa pareceu fácil e interessante, então resolvi participar. A ideia é boa, pois não só permite expor um pouco de nossos gostos literários, como também ajuda a divulgar o trabalho de outros colegas blogueiros.

Agradeço à colega Cássia Lima do blog Vivendo um Sonho por Dia pela indicação.












Então, comecemos:

MELHORES CAPAS DA ESTANTE:

Bem, fiquei na dúvida se era para falar das capas mais legais ou dos livros mais legais, procurei misturar as duas coisas. Deviam ser cinco livros, mas não resisti e acabei colocando 7:

 

Na ordem em que aparecem:


Contos de Meigan: a fúria dos cártagos - Roberta Spindler e Oreana Comesanha

SPINDLER, Roberta; COMESANHA, Oreana. Contos de Meigan: a fúria dos cártagos. São Paulo, Dracaena, 2011.

Resenha aqui











Conquistador - Conn Iggulden

IGGULDEN, Conn. Conquistador. Rio de Janeiro: Record, 2012. (O Conquistador, v.5)

Resenha ainda não postada










Sangue de Tinta - Cornelia Funke

FUNKE, Cornelia. Sangue de tinta. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. (Mundo de tinta, v.2)

Resenha aqui












O  Cavaleiro da morte - Bernard Cornwell

CORNWELL, Bernard. O Cavaleiro da morte. Rio de Janeiro: Record, 2011. (Crônicas saxônicas, v.2)

Resenha ainda não postada












Contos de imaginação e mistério - Edgar Allan Poe

POE, Edgar Allan. Contos de imaginação e mistério. Campinas: Tordesilhas, 2012.

Resenha ainda não postada










A Libélula no âmbar - Diana Gabaldon

GABALDON, Diana. A Libélula no âmbar. Rio de Janeiro: Rocco, 2006. (Outlander, v.2)

Resenha ainda não postada











As Mil e uma noites - Antoine Galland

GALLAND, Antoine. As Mil e uma noites. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000. 2 v.

Resenha ainda não postada










ARCO-ÍRIS LITERÁRIO:

Não ficou tãao bom assim, mas acho que dá pra levar, né? De baixo pra cima temos:
- FUNKE, Cornelia. Coração de Tinta
- IGGULDEN, Conn. O Lobo das Planícies (Série Conquistador)
- ESQUIVEL, Laura. Malinche
- BARRIE, J. M. Peter Pan
- PAULINI, Christopher. Eragon
- FLANAGAN, O Cerco a Macindaw. (Rangers: a ordem dos arqueiros)





PERGUNTAS:

1. Como escolheu o nome do blog?
A princípio, pretendia falar sobre literatura fantástica e maravilhosa, que são meus gêneros favoritos de leitura, por isso queria ter fantástico no título de qualquer jeito. Depois pensei no complemento, achei que livros fantásticos ia ficar muito simples, e seria bem provável que alguém já tivesse usado. Comecei então a pensar em conceitos que pudessem ser atribuídos a livros, foi ai que surgiu a ideia dos mundos de papel. Gostei bastante do nome resultante, até porque qualquer livro, independente do gênero, é, na verdade, um mundo inteiro escrito em papel. Também sou uma ferrenha defensora das edições impressas. Nada se compara a experiência de ter o livro a sua frente.

2. Quanto tempo se dedica ao  blog?
Geralmente busco separar pelo menos uma hora por dia para me dedicar ao blog, em alguns dias posso mais, e aproveito para adiantar as coisas para os dias em que tenho menos tempo disponível. Nos feriados e fins de semana eu me permito um descanso...

3. Já teve algum problema com comentários anônimos no blog? Qual?
Por enquanto não tive nenhum problema do tipo, e espero continuar não tendo. Todos são livros para expressar suas opiniões, positivas ou negativas, desde que as mesmas não desrespeitem ninguém.

4. Você se inspira em outro blog? Qual?
Me inspiro em vários, poderia citar uma lista enorme, de cada um eu tiro uma pequena idéia, um pequeno detalhe. Vários dos blogs em que me inspiro estão na lista de indicados abaixo.

5. Há quanto tempo está na blogosfera?
Comecei no dia 25/11/2013. Então tenho quase um mês (considerando que hoje é 23/12/2013).

6. Quantos blogs visita por dia?
Depende do dia, eu sempre busco olhar as últimas novidades dos blogs que sigo, mas tem dias que não tenho tempo de olhar nenhum. Diria que a média é de uns 3 ou 4 por dia.

7. Quantos livros lê por mês?
Também varia de mês para mês, e do tamanho do livro, Geralmente, leio em torno de 4 ou 5 livros médios (300 a 500p.) por mês, se o livros forem maiores, demoro mais tempo para ler e, consequentemente, leio menos. 

8. Livros curtos ou grandes?
Aprecio uma boa história, se ela puder ser contada em um livro curto, tá valendo, mas, em geral, prefiro livros maiores, pois acredito que mais páginas podem significar (não é regra) uma história que me manterá entretida por mais tempo, e uma narrativa mais complexa, profunda e envolvente. 

9. Já ficou sem inspiração para postar? Como superou isso?
Eu tento me obrigar a escrever pelo menos uma resenha ou post por dia, nos dias em que estou mais inspirada escrevo até mais de uma, assim, nos dias em que a inspiração não vem mesmo, tenho uma reserva de postagem. Ler outros blogs também costuma ser bastante inspirador nos momentos pouco criativos. 

10. Pretende mudar algo no blog em 2014?
Ainda não tenho certeza, provavelmente terei de diminuir a frequência de postagem de resenhar, pois estou escrevendo em um ritmo mais rápido do que leio, e os livros que tenho na memória em breve acabarão. Talvez comece a postar resenhas de mangás também.. Estou estudando se seria interessante abrir um espaço para falar de RPG (o jogo, não o exercício de postura), criei um mundo bastante interessante que pode agradar a alguns jogadores experientes e novatos. O que acham? Seria interessante de compartilhar?

BLOGS INDICADOS (em ordem alfabética):
Apenas um sonho
Cloud of Unicorns
Livros com chá das Três
Memórias de uma Leitora
Para-Noormais
Tudo sobre o meu Tudo
Um Blog sobre Livros
Um Pensador Brincando de Opinião
Um Reino muito Distante
Um Viciado em Livros

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

[Resenha] Deuses americanos

GAIMAN, Neil. Deuses americanos. 3. ed. São Paulo: Conrad, 2011. 448p.

RESENHA
por Juliana R. Santos

Capa - Editora Conrad. Edição 2011
   Outro ótimo livro de Gaiman. Mistura elementos de diversas mitologias e diversas culturas do mundo em uma fantástica trama no mundo atual. O livro narra a história de Shadow, um presidiário libertado mais cedo da prisão devido à morte de sua esposa Laura. Enquanto voltava para a cidade onde vivia com a esposa, Shadow conhece Wednesday, um misterioso velho que deseja a todo custo contratá-lo como guarda-costas. Mais tarde, o leitor percebe que Wednesday, assim como outros personagens da história são, na verdade, deuses de culturas antigas, como a mitologia nórdica, egípcia, eslava, afr
icana, entre outras, e as novas culturas, com deuses como a internet, televisão e cartão de crédito. 

  Na trama, tal como acontece na vida real, os antigos deuses estão sendo esquecidos, desaparecendo, enfraquecendo e morrendo, enquanto são lentamente substituídos pelos novos e poderosos deuses, passando a agir como meros humanos, ou como trapaceiros e marginais. Wednesday, na verdade o deus Odin da mitologia nórdica, busca então trazer outras das antigas  divindades para uma guerra contra as novas tecnologias que pretendem eliminá-los. Neste contexto, Shadow encontra-se meio desorientado, tanto pela recente morte da esposa, e pelas constrangedoras condições de sua morte, quanto pelos fatos estranhos que começa a presenciar depois que aceita se juntar a Wednesday como guarda-costas. No início da narrativa, incomoda um pouco a aparente e constante apatia do protagonista, que parece não se questionar ou se importar com os fantásticos acontecimentos de que é testemunha ao longo de sua jornada, apenas seguindo as instruções que lhe são passadas. Claro que essa apatia pode ser devido à situação estranha, e à tristeza pela recente perda da esposa, mesmo assim, não deixa de incomodar. Felizmente, mais adiante, o personagem muda um pouco essa postura passiva e passa a, ele mesmo, "assumir as rédeas" da situação, deixando apenas de obedecer, para também agir por conta própria em diversos momentos a medida que vai compreendendo cada vez mais o estranho universo que o rodeia. 
Capa - Editora Presença. Edição 2009

  Ao longo da jornada dos personagens pelos Estados Unidos, somos apresentados a várias cidades e algumas histórias e divindades associadas a elas, numa verdadeira viagem turística pelo país. Também é interessante a interseção de alguns capítulos narrando a vinda de pessoas, dos mais diferentes credos, em diferentes épocas, para a terra que hoje é os Estados Unidos, e como essas pessoas trouxeram com elas os seus deuses, que participam da trama juntamente com Wednesday. 

  A presença de um personagem inesperado traz um tom cômico à
história quando mostra a estranha relação que se estabelece entre este e Shadow. Outros personagens também trazem uma atmosfera divertida à narrativa seja pela ironia, seja pelas atitudes engraçadas, um desses personagens é Anansi, que aparece, inclusive, em outro livro do autor Filhos de Anansi.

   Excelente livro, não li muitos do autor (4 no total, com outros na fila para serem lidos), mas até agora este foi o melhor deles, e acho difícil que Gaiman possa escrever algo que o supere. A obra nos introduz, de forma divertida, a várias culturas e credos do mundo, utilizando-se de personagens cativantes e com uma narrativa muito envolvente que quase não nos deixa parar de ler, terminando com um final muito surpreendente e inesperado. Recomendo fortemente a leitura deste livro! 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

[Resenha] O Despertar de Avalon

ELLIOTT, Anna. O Despertar de Avalon. São Paulo: Prumo, 2012. 592p. (Um Romance de Tristão e Isolda, v.3)

RESENHA
por Juliana R. Santos

Esta resenha é referente à continuação dos livros Crepúsculo de Avalon e o Lado negro da lua de Avalon. Se você ainda não os leu, pode haver elementos desta resenha que revelarão fatos sobre a história dos livros

  Chegamos, enfim, ao último volume da série que narra o épico romance de Tristão e Isolda. Durante a narrativa deste volume, a guerra entre britânicos e saxões ainda persiste, com a trama tornando-se ainda mais complexa a medida que novas alianças são formadas. Nesse complicado cenário, Isolda tem novamente que pôr sua vida em risco, a fim de conseguir mais chances de vitória para seu povo. Infelizmente, seus inimigos estão um pouco mais bem informados do que ela esperava, o que lhe gerará sérios problemas que poderiam lhe custar a vida se não fosse por alguns aliados inesperados para ajudá-la. 

Capa - Editora Prumo
   Neste último volume, não há tantas mudanças com relação aos personagens, alguns são incluídos, outros vão saindo da história por uma ou outra razão. Porém, os antagonista permanecem praticamente os mesmos, com algumas mudanças apenas nas percepções da protagonista sobre cada um deles. As visões de Isolda também estão presentes neste livro, permitindo até que a personagem se comunique com Tristão em alguns momentos da trama, mesmo à distância. Essas visões dão um certo suspense à narrativa pois, mesmo sabendo o que iria ou poderia acontecer, a personagem, apesar de seus esforços, nem sempre é capaz de agir para evitar que algumas de suas visões se tornem reais, podendo apenas torcer, junto com o leitor, para que as tragédias previstas não se realizem. Também não há muitas alterações quanto a Tristão, ele continua um tanto chato com seu excesso de autocomiseração, mas, em alguns momentos, ele até que toma coragem para dizer o que sente à Isolda, apesar de ainda continuar a negar a possibilidade de um romance duradouro entre os dois. Apesar do drama nas cenas de romance, nas cenas de ação, Tristão desempenha um papel mais ativo, e isso faz dele um personagem um pouco melhor. 

   Como pontos negativos, além da constante atitude de "fuga" do personagem principal, temos o uso de expressões fora de contexto, da mesma forma que no volume anterior. Certos aspectos da trama de volumes anteriores também são repetidas neste último livro. Além disso, quem espera, pelo título, referências a ilha mística de Avalon, irá se decepcionar, pois, apesar de citar Morgana e sua magia, o livro mal menciona a Terra mágica de Avalon.

   Apesar dos pontos negativos, o livro é tão agradável quanto os anteriores. Uma leitura rápida e interessante, onde não falta ação e tanto o personagem quanto a trama têm bastante complexidade. Recomendada para leitores que gostam de romance, de aventura e de histórias e lendas da Inglaterra medieval (mesmo que superficialmente). Quem ainda não leu, recomendo também a leitura dos outro livros  da série: Crepúsculo de Avalon e O Lado negro da lua de Avalon, pois a leitura desses é essencial para o entendimento deste último volume.   

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

[Conservação de livros] Iluminação

Uso de persianas em biblioteca
   A Iluminação é outro problema que deve ser solucionado se você quer que seus livros permaneçam da mesma forma por muitos anos ainda. Se você acha que os raios UV são prejudiciais apenas para a pele e a vista das pessoas, está muito enganado. A radiação ultravioleta também prejudica as fibras do papel, tornando as páginas quebradiças, amareladas e/ou escurecidas, além disso, a luz intensa desbota as tintas, principalmente das capas, que são as partes que, geralmente, tem mais contato com a luz. Os danos causados pela incidência direta de UV nos livros são irreversíveis, ou seja, não tem técnica para fazê-los voltar a seu estado normal.

   Para medir a intensidade da luz em um ambiente, são usados aparelhos denominados luxímetros. Um luxímetro pode ser encontrado à venda na internet com preços variando entre R$70,00 e R$300,00, porém, para um pequeno acervo pessoal, talvez não seja necessário essa medição, desde que sejam tomados alguns cuidados. Caso já possua um luxímetro, procure manter a taxa de iluminação em até 75UV (m w/ lúmen). O uso de cortinas e persianas é importante para evitar que radiação solar prejudicial possa incidir sobre os livros. O uso de filmes plásticos nas janelas também pode ser uma boa solução para reduzir a quantidade de luz que penetrará o ambiente. Caso não seja possível tomar essas precauções, evite ao máximo deixar os livros em locais onde receberão luz solar direta e, se possível, armazene os livros em ambientes da casa que fiquem menos tempo expostas ao sol, ambientes que recebem a luz das primeiras horas da manhã seriam uma boa opção. 

Lombada de livro descolorida por contato com luz solar.
Percebam que a capa é rosa e a lombada ficou bege.
   Ao ler, evite manter luminárias sem filtro acesas diretamente  sobre o livro por tempo prolongado e dê preferência por iluminar todo o quarto, dessa forma a luz incidirá sobre o papel de forma indireta, reduzindo os malefícios da iluminação. Nos ambientes onde ficam os livros, procure não utilizar lâmpadas fluorescentes, pois elas, apesar de serem mais econômicas, emitem mais radiação UV, e à curta distância, podem até mesmo causar alguns danos à pele humana. Porém, ainda não existe nenhum tipo de lâmpada considerada ideal para acervos bibliográficos. Livros expostos em museus ou bibliotecas, que recebem incidência direta de luz, geralmente passaram por cuidadosos estudos para determinar o tipo de luz, a forma e o tempo de incidência sobre o papel, portanto, não tente fazer a mesma coisa com seu acervo, um livro iluminado com destaque fica bonito, mas pode não compensar os danos que lhe serão causados. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

[Resenha] O Lado negro da lua de Avalon

ELLIOTT, Anna. O Lado negro da lua de Avalon. São Paulo: Prumo, 2010. 528p. (Um Romance de Tristão e Isolda, v.2)

RESENHA
por Juliana R. Santos

Esta resenha é referente à continuação do livro Crepúsculo de Avalon. Se você ainda não o leu, pode haver elementos desta resenha que revelarão fatos sobre a história do livro
   
Capa - Editora Prumo
Neste segundo volume, a saga de Isolda continua, assim como a guerra entre britânicos e saxões. O novo Grande Rei da Britânia foi eleito, mas com seus inimigos cada vez mais unidos, parece muito difícil obter alguma vitória. Por esse motivo, Isolda parte em uma missão, acompanhada de Tristão, para tentar impedir que mais alianças se formem entre os saxões.

   As visões da protagonista tornam-se cada vez mais intensas, assim como a aventura da história, já que os personagens desta vez irão se aventurar em território inimigo, ao mesmo tempo que parecem ser perseguidos por algum inimigo desconhecido. Para passar por toda essa dificuldade, os dois heróis contam com ajuda de amigos como Eurig, os irmãos Daka e Piye, e a abadessa Berthildis. Neste livro o romance entre Tristão e Isolda começa a florescer (ou renascer) e se intensificar, apesar das tentativas do casal de impedir tal sentimento. Novamente, o excesso de humildade (falta de auto-estima mesmo) do personagem Tristão, em parte justificada pelo passado deste que nos será revelado aos poucos ao longo da trama, torna o personagem chato, e dramatiza situações que não precisavam ser dramatizadas. Acredito que o romance entre os dois personagens seria mais interessante, se não fossem as constantes "fugas" de Tristão, que parece temer mais o amor que sente por Isolda do que a própria morte. Se não fosse por isso, talvez a série tivesse um desfecho bem mais rápido. Então, como a leitura não deixa de ser agradável, os dramas de Tristão podem ser perdoados e talvez esse tipo de drama amoroso agrade aos leitores de literatura romântica, o que não é muito o meu caso. É importante também citar que o final do livro guarda algumas boas surpresas para a trama. 

  Um ponto negativo, além do já citado, que não sei dizer se é um erro do tradutor ou da autora, é o uso constante de expressões fora de propósito dentro do contexto da época, como, por exemplo, a expressão "jardim de infância", que não teria nenhum significado naquele período da idade média, mas estranhamente, a expressão parece ser compreendida por todos os outros personagens. Além disso, o artifício de se usar um inimigo desconhecido neste volume já foi usado no volume anterior, deixando a história um tanto repetitiva. 

   Apesar dos pontos negativos, o enredo é bem elaborado. A autora consegue dar profundidade aos personagens (alguns, até demais). A leitura é agradável, recomendada para quem gosta de literatura romântica e para os interessados (superficialmente) na história da Inglaterra, na lenda de Arthur e, principalmente, na lenda de Tristão e Isolda, além, é claro, daqueles que já leram o primeiro livro, afinal, não vale a pena ler apenas parte de uma história que ainda tem muito a contar. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

[Resenha] Crepúsculo de Avalon

ELLIOTT, Anna. Crepúsculo de Avalon. São Paulo: Prumo, 2009. 479p. (Um Romance de Tristão e Isolda, v.1)

RESENHA
por Juliana R. Santos

Capa - Editora Prumo
O livro faz parte de uma trilogia que narra mais uma versão da lenda do Rei Arthur, Morgana, Guinevere, etc. Parece que, por mais que se crie versões e mais versões sobre o assunto, ele nunca será esgotado, pelo menos não foi até agora, e é agradável ler cada nova forma de contar uma história mais ou menos similar. Porém, o livro em questão foge um pouco dos personagens tradicionais, como os que foram citados acima, e avança alguns anos no futuro, ou seja, um futuro próximo, onde Arthur é relembrado como um herói que está descansando mas em breve virá salvar a Britânia, e o foco principal da história é o romance, constantemente associado a lenda, de Tristão e Isolda, sendo Isolda, neste caso, descendente do lendário rei. Apesar do título, a ilha de Avalon não aparece na história, e em todo o livro percebe-se apenas um pouco de magia nas visões e sonhos da protagonista. 

  O enredo se passa no que hoje é a grã-Bretanha, com os povos que ali viviam - os que hoje chamamos galeses - sendo cada  vez mais repelidos pelos saxões que há anos invadem seus territórios. Isolda é uma jovem rainha, curandeira e contadora de histórias recém-enviuvada e desprotegida neste cenário de guerras entre britânicos e saxões, além de intrigas entre os reis britânicos. Isolda, como quase sempre acontece com mulheres que entendem mais de certos assuntos do que homens, tem de lidar constantemente com acusações de bruxaria. O mais estranho, fato que me incomodou um pouco, foi a aparente falta de memória da personagem, que não se lembra de sua infância e esquece até mesmo de algumas pessoas que foram muito próximas a ela nesta fase da vida. Esse estado desmemoriado dura até quase o fim do primeiro volume.

  Diferente de outras história de Tristão e Isolda, como a do filme, por exemplo, o rei Mark da Cornualha é o grande vilão neste volume, junto com um de seus agentes que permanece incógnito até o fim do livro. Mark desempenha bem seu papel de vilão, não tenho críticas a fazer ao personagem, pelo menos não no livro atual. Um dos personagens que, na minha opinião, mais irrita é Tristão. Certo, um pouco de coragem, humildade e auto-sacrifício são características desejáveis em um protagonista galante, mas o jovem exagera nesses aspectos, criando dramas desnecessários na narrativa, chegando a ser chato... A trama tem um bocado de ação, que compensa o excesso de drama em algumas partes, além de personagens, com exceção de Tristão, bastante eficientes em causar ódio ou afinidade ao leitor. A princípio, o romance ainda é fraco, mas há uma certa promessa de que se tornará mais intenso nas sequências. 

   No geral, é um bom livro, peca em alguns aspectos, mas a obra consegue ser uma leitura agradável e interessante, principalmente para quem gosta de ler sobre a história da Inglaterra sob um ponto de vista um pouco mais místico.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

[Resenha] Branca dos mortos e os 7 zumbis

FOBIYA, Abu. Branca dos mortos e os 7 zumbis: e outros contos macabros.
[S.l.]: nerdbooks, 2012. 240p.

RESENHA
por Juliana R. Santos

Capa - Editora Nerdbooks
 Juro que foi apenas coincidência a escolha dessas histórias, que misturam contos de fadas com literatura fantástica e de horror, na última entre as várias sextas-feiras 13 deste ano. De qualquer modo, acho que esta coincidência veio a calhar no fim das contas, não é? Usando o pseudônimo de Abu Fobiya, o autor Fábio Yabu escreve uma coletânea de onze contos dos conhecidos contos de Grimm, Andersen, Perrault e outros, em uma versão mais macabra, envolvendo zumbis, maldições e castigos cruéis. 
  
  Neste compilado, encontram-se versões alternativas de Branca de Neve, Rapunzel, o pequeno polegar, a vendedora de fósforo, João e Maria, Cinderela, além das referências menos diretas a outros conhecidos personagens e, até mesmo, a filmes. O mais interessante é que, se o leitor prestar um pouco de atenção, irá perceber que os contos se entrelaçam, com personagens de um conto aparecendo em outros em momentos anteriores ou posteriores, já que os contos não têm, necessariamente, uma ordem cronológica entre si. 

  Além de versões um pouco mais sombrias dos personagens das narrativas que habitaram a infância de quase todo mundo, o livro conta com zumbis, demônios, psicopatas, e animais selvagens famintos, que dão o toque brutal e macabro aos contos, tornando-os verdadeiras obras de horror, contadas em um tom lúgubre de quem conta histórias de terror. A seguir, farei uma lista de contos e uma breve sinopse de cada uma das onze histórias só para dar aos leitores uma idéia do que se trata cada uma. 


  • Branca dos Mortos e os sete zumbis - O conto que dá nome ao livro. Como já é possível perceber pelo nome, é uma versão da Branca de Neve e os sete anões; 
  • João, Maria e os outros - Diferente do que pode parecer pelo título, este conto é mais uma narrativa dos tormentos e da punição dos pais cruéis que abandonam os filhos na floresta, do que a história de João, Maria, e os tais outros que se revelarão na narrativa. 
  • Os Três lobinhos - Narrada sob o ponto de vista de três pobres lobos sozinhos e famintos a procura de comida. 
  • A Vendedora de fósforos e o vingador - Conta a história de uma jovem menina deixada para morrer por um pai desnaturado, e a futura punição, como é de se esperar nos contos de fada, do malvado genitor.  
  • Cindehella e o sapatinho infernal - E se a magia da fada que realiza sonhos for na verdade um demônio a tentar humanos com propostas irrecusáveis? A história de uma fada e de uma princesa não tão boas e inocentes assim. 
  • A Confissão - A história do menino de madeira irresponsável e malandro criado por Lorenzini, de uma forma um pouco mais sádica e cruel. 
  • Bela incorrupta - A história do cientista obcecado por trazer vida à cadáveres faz lembrar muito a história do doutor Frankstein. O conto faz referência não apenas ao romance de Mary Shelley, mas também a contos anteriores do livro.  
  • O Monstro - Contado em forma de poesia, narra a triste história de um monstrinho rejeitado e maltratado por todos. 
  • O Cemitério - Narra a conversa de dois mortos, livres a circular e conversar no cemitério por um determinado período da madrugada, ao mesmo tempo que essa conversa acontece, o leitor se reencontra com diversos personagens de contos anteriores. 
  • Samarapunzel - Faz referência a história de rapunzel, de forma mais sombria e demoníaca, misturada com certos elementos do filme "O chamado". 
  • O Fim de quase todas as coisas - Um brevíssimo conto, falando de um tempo muito após o fim da Terra e o que restou do planeta.

Capa - Editora Globo Livros

  O livro, ao menos a versão da editora Nerdbooks, conta também com o prefácio de Eduardo Spohr, conhecido escrito brasileiro de Batalha do Apocalipse e da série Filhos do Éden. Com poucas páginas, muitas ilustrações e capa dura, a obra é  possível de ser lida em apenas um ou dois dias. Para quem gosta tanto de contos de fadas quanto de contos de horror, vale a pena gastar umas horinhas para conferir essa fantástica e horrenda (não no sentido pejorativo) coletânea. 

É possível ouvir e ler alguns dos contos do livro através do site do editor no link abaixo:  http://jovemnerd.com.br/brancadosmortos/


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

[Resenha] Lugar Nenhum

GAIMAN, Neil. Lugar Nenhum. São Paulo: Conrad, 2007. 336p.

RESENHA
por Juliana R. Santos

 Recentemente tenho lido alguns livro de Neil Gaiman e, até agora, tenho gostado do que li. Lugar Nenhum pode não ser o melhor livro do autor, mas é, sem dúvida, uma excelente história, possuindo vários dos elementos fantásticos que caracterizam e enriquecem obra de Gaiman.

Capa - Editora Conrad
   Diferente do que ocorre normalmente, quando os livros são adaptados para série ou filmes, este livro era, anteriormente, uma série de TV escrita pelo autor para o canal inglês BBC, em 1996. A obra narra a história de Richard Mayhew, um jovem escocês que vive e trabalha em Londres, tendo uma noiva, a controladora Jessica, e uma carreira promissora pela frente. Tudo ia bem até que Richard encontra uma jovem ferida na rua e decide parar para ajudar, apesar das insistências de Jessica para que deixasse-a ali e seguisse em frente. É ai que a vida de Richard vira de cabeça para baixo. A garota ferida, ajudada por ele, é Door, que tem o estranho dom de abrir portas e parece estar sendo perseguida por dois tipos quase tão estranhos quanto ela mesma. Sem saber o que está acontecendo, o jovem se vê perdido neste perigoso e fantásticos mundo, escondido em sua própria cidade, a "Londres de Baixo".

  O autor consegue criar um mundo bastante interessante, que ao mesmo tempo pertence à Londres, mas é completamente diferente e mágico, um mundo nas galerias e telhados da cidade, onde onde os marginais (digo marginais me referindo a pessoas vivendo à margem da sociedade, não necessariamente a criminosos) vivem com suas próprias leis, e sua própria política, ignorados pelo "mundo real" acima. 

  Além dos personagens já mencionado, o livro conta com personagens como Old Bailey, o astuto De Carabas, a hábil caçadora Hunter, o Anjo aprisionado Islington, além dos crués comparsas Croup e Vandemar. O protagonista, apesar de adorável em sua bondade e ingenuidade, começa um pouco fraco, pouco mais do que um observador passivo que se limita a obedecer o que lhe é instruído, felizmente, ao longo da história a passividade passa a ser deixada um pouco de lado, não tanto quanto se poderia esperar, mas o suficiente para tornar a narrativa interessante. Outro ponto que eu consideraria negativo, mas que não chega a ser um impeditivo, são as constantes referências à locais específicos de Londres, tornando necessário que o leitor conheça certos pontos da cidade para se orientar completamente na trama. Para os leitores que fazem questão de entender cada detalhe da obra, é preciso ter um mapa de Londres e de seu metrô por perto, com seus nomes em inglês, pois vários elementos da trama, são baseados nesses nomes de locais, o que é bem interessante, mas, como já disse, é difícil para quem desconhece a cidade se orientar. 

  O mundo criado por Gaiman é bastante interessante, os personagens são bons, com apenas aquela pequena ressalva para o protagonista, e a narrativa é surpreendente e cheia de reviravoltas, o que torna a leitura muito agradável e interessante. Um livro que eu recomendo para  fãs e não-fãs do autor. Só sugiro, como faço com todos os filmes e séries baseados em livros, que, se for ver a série, faça depois de ler o livro, mesmo que a série tenha sido lançada antes, pois é sempre melhor imaginar o cenário e os personagens por conta própria antes de ver esses elementos imaginados pelo diretor. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

[Conservação de livros] Umidade

 Para melhor conservar os livros, é interessante buscar diminuir os fatores que causam a degradação dos materiais que os compõe, principalmente a celulose. Para isso é importante manter certas condições ambientais, principalmente a umidade, a temperatura, e a iluminação.

Livro enrugado devido à umidade
   Comecemos pela umidade, suas variações podem contribuir para o aparecimento de fungos e insetos e,  se esta umidade for muito alta, pode chegar até mesmo a enrugar o papel. Além disso, variações de umidade afetam a temperatura e vice-versa. Para medir a umidade do ambiente, utiliza-se higrômetros. É possível localizar na internet algumas instruções bem simples de como fazer um higrômetro caseiro, dá um certo trabalho, mas sai mais em conta. Porém, considero que a melhor opção seria comprar um termo-higrômetro, que mede tanto a umidade quanto a temperatura do ar. O preço de um aparelho simples varia de cerca de R$20,00 a R$80,00, podendo ser encontrado no mercado-livre. Para um espaço pequeno, como uma estante, um dos modelos mais em conta deve bastar.

   Tendo como medir a umidade, o ideal é tentar mantê-la entre 40% e 60%. Se a umidade estiver muito abaixo desse intervalo, é possível utilizar umidificadores de ar, daqueles que se usa em quartos de criança ou de pessoas com rinite. Esses aparelhos são facilmente encontrados em lojas de eletrodomésticos ou de departamento, e variam de R$50,00 a pouco mais de R$100,00. Apesar de caros, podem ser úteis não apenas para conservar livros, mas também para evitar problemas respiratórios decorrentes do uso de ares-condicionados ou do tempo excessivamente seco.  Porém, convém evitar deixar esses aparelhos muito próximos dos livros, pois as gotículas de água incidindo diretamente sobre o material, podem danificá-lo. 

Livro com capa e miolo danificado por umidade
   Para níveis de umidade acima do intervalo recomendado, não se recomenda usar desumidificadores, já que estes são grandes, caros e difíceis de encontrar por uma pessoa física. Uma dica prática e barata para reduzir a umidade do ambiente é colocar um pouco de sal em um pequeno pote no ambiente que se deseja desumidificar, este absorverá parte da água do ambiente. E após algum tempo, quando o sal se encontrar úmido, e se ainda for necessário baixar a umidade, troque-o. Ares-condicionados também podem ser úteis para reduzir a umidade, porém, mantê-los ligados o tempo inteiro é muito custoso e variações excessivas de umidade/temperatura são tão ou mais prejudiciais do que condições inadequadas. Portanto, o uso de ar-condicionado para o controle de umidade só é recomendado se houver possibilidade de mantê-lo constantemente ligado.
Sacos plásticos transparentes para proteger o livro (finalização)

   Uma opção mais fácil e econômica para evitar que os livros tenham contato com a umidade constante é mantê-los dentro de embalagens de plástico transparente como mencionei na postagem da semana passada, já que podem ser comprados rolos destes “saquinhos” em qualquer supermercado, gastando não mais que R$5,00. Além disso, evite usar água para lavar ambientes próximos ao acervo, se possível utilize vassoura e/ou aspirador e panos secos, para limpar livros e estantes, utilize uma flanela seca ou, se necessário, molhadas com um pouco de álcool 70% glicerinado (Atenção, não serve qualquer álcool).

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

[Resenha] A Morte da Luz

MARTIN, George R. R. A Morte da luz. Rio de Janeiro: Leya, 2012. 336p.

RESENHA
Por Juliana R. Santos
  
Capa - Editora Leya
   Como nunca li a série Crônicas de gelo e fogo (pretendo ler em breve), do mesmo autor, não posso dizer se este livro é melhor ou pior. Mas posso dizer que, surpreendentemente, já que usualmente não gosto muito de histórias futuristas, é uma leitura bastante agradável e interessante sob o ponto de vista das histórias e culturas dos povos apresentados. A escrita também é bastante boa, ainda mais se considerarmos ser este o primeiro livro do autor. 

   A narrativa se passa em Worlom, um planeta sem órbita fixa (como a Terra, que gira eternamente em torno do sol, por exemplo), que vaga pelo universo, vazio e sem vida. Quando este planeta se aproxima de algum sistema estrelar, permitindo que seres humanoides sobrevivam, ele é rapidamente habitados por povos de diversos planetas e diferentes culturas que constroem cada um a sua própria cidade, trazendo seus costumes e até mesmo plantas e criaturas de seus planetas. Porém, durante os acontecimentos do presente livro, o planeta está saindo desta "zona habitável" e vem sendo constantemente abandonado.

   O protagonista Dirk t'Larien encontra-se neste planeta, em uma visita a uma amiga que não  via há muito tempo, Gwen Delvano, mas Gwen está diferente do que ele conhece, ligada a uma cultura que Dirk não compreende. A problemática da narrativa ocorre, principalmente, devido às diferenças culturais de Dirk e de alguns dos habitantes locais, uma cultura baseada em luta, honra e posse, fatores que, como viremos a saber, se devem à história desses povos. A questão cultural e histórica envolvendo os personagens da trama, como já mencionei, é o ponto de maior destaque em todo o livro.

   Apesar do fantástico mundo futurista criado por Martin, a narrativa peca em relação aos personagens, principalmente o protagonista, que, na minha opinião, são um pouco fracos, apesar de não lhes faltar profundidade (talvez essa profundidade mais atrapalhe do que ajude neste caso, tornando os personagens muito reflexivos e pouco ativos), há que se esperar que, pelo menos o protagonista, tenha uma personalidade e atitudes mais fortes. Mas talvez isso se deva apenas ao hábito, já que, na maioria dos casos, o que se vê nos livros são personagens principais mais ativos.

   Apesar dos pontos negativos mencionados, a leitura de A Morte da luz é muito recomendada. principalmente para quem gosta de história futuristas. Mesmo os amantes das histórias medievais podem encontrar pontos semelhantes para se identificar na narrativa, como a questão da honra e obediência dos cavaleiros e a posição um tanto inferiorizada da mulher. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

[Resenha] Contos Fantásticos do Século XIX

CALVINO, Italo (Org.). Contos fantásticos do século XIX: o fantástico visionário e o fantástico cotidiano. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. 502p.

RESENHA
por Juliana R. Santos

Capa - Editora Companhia das Letras
   Obviamente, se pretendo falar sobre literatura fantástica, não poderia deixar de mencionar essa incrível coletânea de contos. É verdade que do século XIX até os dias atuais, o conceito do fantástico pode ter mudado um pouco, e alguns desses contos selecionados não sejam considerados tão fantásticos assim. Mesmo assim, apesar de um conto ou outro mais chato, vale a pena ler a coletânea. 

  A obra é composta de 26 contos, todos com comentários do organizador em seu início, e divididos entre o fantástico visionário e o fantástico cotidiano, sendo 12 contos pertencentes ao primeiro grupo e 14 ao segundo. A diferença entre está na época, o primeiro tipo é da primeira metade do século XIX e o segundo, da segunda metade. Geralmente, há também uma diferença entre esses dois tipos de contos que seria a natureza dos acontecimentos. No primeiro caso, o fantástico seria um elemento externo, enquanto no segundo, o fantástico estaria mais no interior dos personagens, tem mais a ver com as percepções destes de seu entorno. Esse segundo tipo possui maior número de metáforas, é necessário pensar um pouco mais no significado desses, o que, em alguns casos (mas não em todos), os torna mais interessantes. 

  A seguir farei uma brevíssima sinopse (que irei postando aos poucos) de cada um dos 26 contos dos quais o livro é composto:

  • POTOCKI, Jan. História do demoníaco Pacheco - Um capítulo isolado do livro do autor Manuscrit trouvé à Saragosse, que não pôde ser incluído na íntegra por ser um livro grande, com histórias que se interligam umas as outras, como nas mil e uma noites. Narra a história de um viajante que acordara deitado ao lado de dois enforcados. Mais adiante, conhece Pacheco, um jovem atormentado que conta sua história de como foi procurado por duas vozes femininas, e em seguida atacado pelo irmãos De Zoto, criminosos que haviam sido enforcados, estes lhe perseguem e lhe arrancam o olho. Amedrontado com a história e com o fato que lhe tinha acontecido, o homem passa a noite numa capela, onde é chamado por duas vozes femininas que o tentam para que ele saia de seu refúgio.
  • EICHENDORFF, Joseph von. Sortilégio de outono - Versão romântica de uma lenda medieval, onde um homem passa uma estação em um paraíso com sua amada, após matar seu amigo, que também queria a mesma mulher. Quando volta à realidade, percebe que muito tempo já se passou e que nada do que ele viveu foi real.
  • HOFFMAN, E. T. A. O Homem de areia - História adaptada para o ballet Copélia, narra a história de um jovem que identifica a lendária figura para assustar crianças à figura do Dr. Coppelius. Quando mais velho, se apaixona pela estranha filha do professor Spallanzani, Olimpia. Mais tarde, o jovem descobre que esta nada mais é do que uma boneca, criado por Spallanzani e Coppelius, e perde a razão. 
  • SCOTT, Walter. A História de Willie, o vagabundo - Após as circunstâncias pouco usuais da morte de seu senhor, o arrendatário tem de descer ao inferno para buscar o recibo das mãos do senhor feudal que comprova que pagou sua dívida. Mas ai ele não deve comer ou beber nada enquanto lá estiver, e nem levar a gaita aos lábios, ou sofrerá terríveis consequências. 
  • BALZAC, Honoré de. O Elixir da longa vida - Um jovem libertino recebe do pai um elixir que teria o poder de trazê-lo de volta à vida após sua morte, após confirmar a eficácia do elixir, o jovem resolve manter o elixir para si na esperança de usá-lo após a sua morte. Porém, o uso incorreto do elixir pode causar efeitos bizarros e assustadores, ele poderá confiar em seu próprio filho para lhe trazer de volta a vida depois que estiver morto? 
  • CHASLES, Philarète. O Olho sem pálpebra - Baseado nos mitos e crenças escocesas, o conto narra a história de um homem que, como punição pela morte da esposa, é atormentado pelo ciúme excessivo e doentio da nova e estranha esposa que o persegue e encontra aonde quer que ele vá com seus olhos que nunca dormem. 
  • NERVAL, Gerárd de. A Mão encantada - Desejando vencer um duelo em que se meteu, um jovem comerciante se deixa envolver na maldição de um cigano, que busca para si a mão de um condenado, que supostamente possuiria poderes místicos. 
  • HAWTHORNE, Nathaniel. O jovem Goodman Brown - O terror de um jovem puritano frente à descoberta da corrupção das almas daqueles ao ao seu redor, enquanto tenta ele mesmo, fugir às tentações.
  • GOGOL, Nikolai V. O Nariz - Esse conto cômico sobre um homem que perdeu o nariz é uma sátira da sociedade da época. 
  • GAUTIER, Théophile. A morte amorosa - Um jovem padre conhece uma bela e estranha mulher, após o que o padre passar a ter sonhos muito reais com uma vida de fidalgo junto a tal mulher, e o fidalgo tem sonhos com a vida de padre. O personagem vive assim, uma dupla-vida, sem saber qual das duas é real, até que, pressionado por seus superiores, o jovem religioso procura entende a causa de seus sonhos. 
  • MÉRIMÉE, Prosper. A Vênus de Ille - Um pesquisador vai à uma pequena vila de Roussillon examinar a misteriosa estátua da Vênus encontrada recentemente no local, coincidentemente, na mesma época está para acontecer um casamento, a convite do arqueólogo local, o pesquisador fica na vila para o casamento e acaba presenciando uma simples brincadeira do jovem noivo com a estátua e as alianças levar a um horrível desfecho a alegre festa de núpcias. 
  • FANU, Joseph Sheridan Le. O fantasma e o consertador de ossos - Um consertador de ossos é forçado a passar a noite em um castelo assombrado por um espírito que precisa consertar seus ossos. 
  • POE, Edgar Allan. O coração denunciador - Um homem atormentado resolve matar o velho dono de um olhar que o incomoda sobremaneira. Após tão cuidadosamente encobrir as provas de seu ato, o que poderia lhe denunciar?
  • ANDERSEN, Hans Christian. A Sombra - História de um homem que perde sua sombra para  a reencontrar, não mais como sombra, mas como seu igual, e, em alguns momentos, superior. 
  • DICKENS, Charles. O Sinaleiro - Um jovem sinaleiro de trem sofre de estranhas alucinações onde vê uma figura lhe acenando, essas visões sempre seguidas por algum acidente nos trilhos
  • TURGUÊNIEV, Ivan S. O Sonho - Uma narrativa onírica de um rapaz que, através de um sonho, descobre o passado de sua mãe e encontra seu verdadeiro pai. 
  • LESKOV, Nikolai S. O Espanta-diabo - Enquanto acompanha o tio, um jovem rapaz presencia estranhos e ocultos rituais. 
  • ISLE-ADAM, Auguste Villiers de. É de confundir! -  Reflexões sobre a semelhança entre uma casa funerária e os pontos de reunião dos homens de negócio.
  • MAUPASSANT, Guy de. A Noite - Uma cena própria de pesadelo onde um homem, vagando à noite, percebe a vida e o movimento desaparecerem lenta e totalmente das ruas de Paris, deixando-o sozinho com seu medo da morte. 
  • LEE, Vernon. Amour Dure A história de um estudioso que acaba por se apaixonar por uma mulher morta anos antes, e se vê compelido a atitudes loucas para agradar sua amada. 
  • BIERCE, Ambrose. Chickamauga - Durante a Guerra Civil Estadounidense, uma jovem criança se afasta de casa e adormece perdida na floresta, quando acorda, depara-se com soldados feridos voltando da batalha, sem entender a cena, a criança brinca e fantasia sobre as cenas que vê. 
  • LORRAIN, Jean. Os Buracos da máscara - Narra o horror de um jovem folião frente à desaparição de si mesmo. 
  • STEVENSON, Robert Louis. O Demônio da garrafa - Uma garrafa contendo um pequeno demônio que realiza desejos parece ser algo maravilhoso, que qualquer um desejaria ter, mas seu dono pode acabar descobrindo que a posse da garrafa é mais uma maldição do que uma benção
  • JAMES, Henry. Os Amigos dos amigos - Dois personagens, um homem e uma mulher, muito parecidos um com o outro, e estranhamente conectados por fatores inexplicáveis, nunca se encontram, apesar das inúmeras tentativas de seus amigos de promover o encontro entre eles.
  • KIPLING, Rudyard. Os Construtores de pontes - Fala sobre a construção de uma ponte no Ganges na Índia, enfatizando a luta pelo domínio da natureza, representada pelos deuses da cultura indiana, pela tecnologia inglesa. 
  • WELLS, Herbert G. Em terra de cego - Um guia alpinista sofre um acidente nas montanhas e se descobre em uma estranha terra isolada habitada apenas por cegos. Sua experiências com os cegos do local coloca a prova a expressão popular: "Em terra de cego, quem tem um olho é rei".

    Entre os 26 contos que compõem esse livro, considero alguns como tendo mais destaque, ou seja, são os melhores: Sortilégio de Outono, de Eichendorff; O Homem de areia, de Hoffman; A Morte amorosa, de Gautier; A Sombra, de Hans Christian Andersen; O Demônio da garrafa, de Robert Louis Stevenson; Em Terra de cego, de Herbert G. Wells; e É de confundir, de Isle-Adam. No geral, um livro muito bom, interessantes tanto para quem procura uma leitura inteligente e que faça pensar, como para quem busca por uma leitura leve e agradável.  

    O último conto, de Wells, encontra-se disponível em áudio para escutarem. Peço que não reparem na qualidade, pois fui eu mesma quem gravei como parte de um trabalho de faculdade. Eu não sou profissional ,nem de edição de áudio, nem de narração, portanto, desculpem pelos possíveis erros. Espero que gostem!


    sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

    [Resenha] Azincourt

    CORNWELL, Bernard. Azincourt. Rio de Janeiro: Record, 2008. 448p.

    Capa - Editora Record
    RESENHA
    Por Juliana R. Santos

       Esse livro não é fantasia, mas é um romance histórico bastante interessante e acho que vale a pena comentar, já que é excelente.  A narrativa começa de uma forma um tanto lenta, tornando-se agitada durante as lutas e novamente lenta nos intervalos entre elas. Mas não entendam lento como pouco agradável, as partes lentas são importantes para o entendimento da história, para a formação dos personagens e do cenário. Além disso, a pouca ação destes trechos é mais que compensada pela ação das batalhas.

      Este livro narra a história da famosa batalha de Azincourt, quando o exército de Henrique V da Inglaterra enfrenta o exército frânces e, mesmo estando em clara desvantagem numérica em relação aos último, (alguns historiadores chegam a estimar quase 20 franceses para um inglês) tem uma vitória esmagadora, chegando a fazer milhares de prisioneiros. Há, também, outras batalhas descritas na trama, como o longo cerco à Harfleur e a sangrenta invasão de Soissons.

       A narrativa é contada sob o ponto de vista do arqueiro inglês Nick Hook, que se torna fora da lei após matar um inimigo em sua cidade e que esteve presente em todas as batalhas supracitadas, tendo se tornado devoto de São Crispim e São Crispiano após ter visto o massacre de Soissons sem ter podido fazer nada para ajudar ninguém, exceto a jovem Melisande. Vale lembrar que a batalha de Azincourt ocorreu no dia desses santos, levando o personagem a crer que a vitória inglesa sob os franceses foi uma vingança pela invasão da cidade, da qual os santos são padroeiros.  Ao final da batalha, os ingleses conseguem reunir um número de prisioneiros – nesta época era comum fazer nobres prisioneiros para cobrar ricos resgates pela sua libertação – que superaria seus próprios números. A vitória tanto desta quanto de outras lutas da mesma época, é frequentemente atribuída aos arqueiros, comumente elogiados na obra do autor.

       Além das aventuras de Nick e das descrições das batalhas, a obra conta com boas versões dos discursos de Henrique V, famosos pelo livro de Shakespeare com o mesmo nome do monarca (Henrique V). Há, também, referência a personagens de outros livros do mesmo autor, como o arqueiro Thomas de Hookton, protagonista da série Busca do Graal (uma excelente trilogia para quem gosta de romances históricos medievais).


       Como a maioria dos livros de Cornwell, Azincourt tem uma narrativa bastante realista, não poupando o leitor de descrições das atrocidades cometidas durante as guerras deste período. Portanto, se você tem nervos fracos e costuma se emocionar ou se enojar facilmente, talvez seja melhor não ler nem este, nem outros livros do autor. Mas se você, como eu, adora descrições de guerras, e aprender um pouco de história de forma mais leve e agradável (e de maneira um tanto superficial também), a leitura desta obra é fortemente recomendada, quase obrigatória. Uma sugestão é ler simultaneamente, ou logo em seguida, o livro de Shakespeare Henrique V, mencionado acima, assim você pode comparar as duas versões e as duas formas de narrar a mesma história, o que eu considero um exercício bem interessante. 

    quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

    [Resenha] Os Olhos do dragão

    KING, Stephen. Os Olhos do dragão. Rio de Janeiro: Objetiva; Suma de Letras, 2011. 321p.

    RESENHA
    por Juliana R. Santos

    Capa - Editora Objetiva
       Diferente da maioria dos livros de Stephen King, que eu chamaria de literatura de horror, este livro poderia muito bem se encaixar na descrição de literatura fantástica e infanto-juvenil. Uma narrativa um tanto infantilizada, quase uma fábula, mas ainda assim bastante agradável, com metáforas bem interessantes sobre a vida e a mente humana e infantil. 

       A narrativa se passa no reino de Delain, governado pelo rei Rolando, conhecido como "O Bom", um rei mais afeito aos prazeres da boa mesa do que ao intelecto. O rei casa-se com Sasha, uma rainha rica em virtudes, e esta lhe dá dois filhos. Tudo iria bem e seria perfeito, e não haveria enredo para nenhuma história, se não fosse pelo conselheiro real e vilão da trama, o feiticeiro Flagg, que se aproveitava do pouco intelecto do glutão Rolando para, aos poucos, controlá-lo, apesar da oposição de Sasha. 

       Após muitos anos a serviço do rei, e anos ainda anteriores em que esteve em Delain com outras identidades e profissões, Flagg decide que finalmente é chegada a hora de tomar o poder para si, e, para isso, com o auxílio de suas mágicas e poções, arma um plano cruel para se livrar de Rolando e seu primogênito Pedro, e elevar ao trono o, que ele acredita ser, frágil e manipulável Tomás. O último é mesmo um rapaz frágil e triste, que vem a se tornar ainda mais atormentado, devido aos fatos ocorridos ao longo da narrativa. O jovem personagem, com seus sofrimentos compreensíveis, torna-se digno da piedade do leitor, apesar de algumas atitudes questionáveis tomadas por este ao longo do livro. Enquanto Flagg é a personificação da maldade, o típico vilão das histórias infantis, Pedro é o protagonista perfeito, feliz, amado por todos e praticamente sem defeitos. Os dois personagens, e muitos outros na verdade, chegam a ser inverossímeis em suas características, mas isso é perdoável, considerando que se trata de uma fábula claramente voltada para crianças, como fica evidente pela linguagem adotada pelo narrador, o tempo todo conversando com o leitor. 


    Capa - Editora Suma das Letras
       O livro conta também com personagens como Ben, Naomi, Denis, e a simpática cadela Frisky, que têm participação, mesmo que pequena, na conclusão da história. Outros elementos importantes para a trama são a casa de bonecas de Sasha e guardanapos. Sobre esses elementos não direi mais nada para não estragar a leitura, mas se lerem o livro, entenderão o que quero dizer.  

      Como já disse, trata-se de uma fábula, uma narrativa bastante infantilizada e, talvez por isso, bastante agradável, uma leitura rápida e despreocupada. Tanto a edição com o selo da Objetiva, quanto a com o selo da Suma das Letras, ambas pertencentes ao grupo editorial Santillana, possuem imagens e ilustrações, tornando a leitura ainda mais ágil e fluida. Quanto às edições mais antigas, não sei dizer se possuem as imagens ou não, pois nunca tive contato com nenhuma delas. Não é dos melhores livros escritos, é verdade , mas vale a pena gastar alguns poucos dias para conferir esta encantadora historinha.